segunda-feira, 7 de abril de 2008

Pink Floyd: Dark Side of the Moon (1973)

"Está bem equilibrado e bem construído, dinâmica e musicalmente e eu acho que o humanismo apresentado é bastante apelativo. É satisfatório. Penso também que é o primeiro álbum deste género. As pessoas citam muitas vezes S.F. Sorrow, do The Pretty Things, de serem de um molde similar - foram feitos no mesmo estúdio e sensivelmente na mesma altura - mas eu penso que terá sido provavelmente o primeiro completamente coerente que foi feito. Um álbum conceitual, amigo! Sempre pensei que teria um êxito extraordinário. Tive o mesmo pressentimento em relação a The Wall. [...] mas claro, "Dark Side of the Moon" acabou com os Pink Floyd de uma vez por todas. Ter tanto sucesso é o objectivo de qualquer grupo e quando o atingimos, é o fim. No meu ponto de vista, eu acho que os Pink Floyd acabaram há tanto tempo como isso." Roger Waters - Junho de 1987

O Pink Floyd já era uma banda respeitada antes do ano de 1973, mas ainda não tinha "aquele" álbum que ficasse marcado para a história do rock. Foi nesse ano que a banda foi ao seu apse com o conceitual albúm Dark Side of the Moon trancendendo todos o limites músicais da época e consequentemente da própria banda. O grupo inglês que foi fundado por Syd Barret havia a pouco expulsado o mesmo por "mal comportamento", é agraçado que foi a partir dessa saída que a banda se encontrou musicalmente com álbuns muito mais maduros e com letras mais críticas e filosóficas.

Dark Side of the Moon não é apenas mais um álbum, é simplesmente o terceiro disco mais vendido da história e um marco do rock progressivo, deixando a banda entre uma das melhores de todos os tempos.

Ao ouvirmos o disco nos deparamos com uma experiência musical completamente diferente e magníficamente fabulosa, músicas com "Money"(6:22 min.) talvez a mais conhecida do disco, faz uma crítica ao dinheiro e nos proporciona uma linha de baixo muito mais regular e ativa de Roger Waters, já "Time"(7:04 min.) se mostra uma música totalmente envolvente e com um solo por volta dos 3:28 minutos muito bem trabalhado e melódico, marca registrada de David Gilmour, sem contar "On The Run"(3:34) que tem um instrumentalismo instigante feita principalmente no teclado. Com as músicas comentadas acima e as restantes o albúm iniciou magnificamente um novo ciclo na banda Pink Floyd.

É por isso tudo que o álbum se torna caracteríticamente único na história do rock e na música ocidental. Ao lado de "The Wall" e "Wish You Were Here" é sem dúvida o melhor trabalho da banda. Comprem-no, que vocês nunca se arrependerão.

Entrada para raros

"O teatro mágico é o teatro do nosso interior, a história que contamos todos os dias e ainda não nos demos conta, as escolhas que fazemos em busca dos melhores atos, dos melhores sabores, das melhores melodias e dos melhores personagens que nos compõem, as peças que encenamos e aquelas que nos encerram...nosso roteiro imaginário é a maneira improvisade de viver a vida, de sobreviver o dia, de ressaltar os tombos e relançar as idéias, o teatro nosso de cada dia..."

E assim começa o espetáculo. Quando me convidaram para participar desse blog a minha primeira idéia foi postar sobre essa banda teatral e poética. Como conheci? Acasos. A apresentação da "trupe" (assim gostam de ser chamados), conta com a liderança de Fernando Anitelli, e todos sobem ao palco devidamente caracterizados, lembram a alegria e o coloridos dos palhaços, no mesmo instante que prendem a nossa atenção com poesias musicais sobre "o mar se apaixonar por uma menina" e o porquê de "não juntar tudo n'uma coisa só". Cheio de momentos marcantes, desde bonecas vivas fazendo acrobacias sobre nossas cabeças até o momento mais que especial, onde Anitelli consegue fazer os "raros" (e é assim que ele nos chama) sentarem no chão, e com um discurso aflorar sentimentos únicos e realmente mágicos.

Ir a um show da Teatro Mágico é uma experiência que ninguém nunca mais esquece, você "só vai se lembrar enquanto respirar". Um exemplo de como bandas independentes podem (e devem) dar tudo de si por uma causa: levar luz para vida das pessoas. Uma luz que não se apaga, que somente se propaga mais e mais, de boca em boca, de sorriso em sorriso. E a felicidade é contagiosa, sabia? Contagia quem dá e quem recebe, e o cenário, a gente é quem faz. Sonhar não custa caro.

"Borboleta parece flor
Que o vento tirou pra dançar
Flor parece a gente
Pois somos semente do que ainda virá"


Teatro Mágico. Entrada para raros. Saída proibida.

Eu Não Estou Lá (I'm Not There ,2007)

Robert Allen Zimmerman,mais conhecido como Bob Dylan, é um artista de fases.Durante sua longa carreira de 46 anos Dylan apresentou inúmeras mudanças de estilo passando pelo folk,pelo rock,pelo country e até mesmo pela música gospel.Essas polêmicas mudanças de estilo sempre causaram controvérsias entre os fãs assim como as suas várias personalidades.
É baseado nessas várias facetas de Bob Dylan que o diretor Todd Haynes constrói essa brilhante e não convencional biografia.Mostrando Dylan em suas várias facetas(cada uma interpretada por um ator diferente),Haynes usa e abusa de referências as músicas do cantor,detalhes sobre sua vida e certas metáforas visuais para mostrar toda a complexidade de Dylan.
O filme apresenta um roteiro extremamente bem escrito que lida com segurança com as diferentes personalidades do cantor impedindo que a obra se torne confusa.Apresentando Dylan como uma espécie de quebra-cabeças o filme mostra Dylan desde sua fase de jovem fã de folk (Marcus Carl Franklin ) até sua conversão ao cristianismo( Cristian Bale ),passando pela sua fase de promissor cantor folk e defensor dos direitos civis(Cristian Bale),sua mudança para o Rock(Cate Blanchet),o seu lado poético(Ben Wishaw),a sua experiência cinematográfica e seu lado familiar(o finado Heath Ledger),e a sua fase de isolamento(Richard Gere).Todas essas fases de Dylan são mostradas no filme com uma interessante narrativa não-linear.Outra coisa brilhante no roteiro são às referências às músicas e alguns detalhes pessoais do biografado que provavelmente só os fãs irão perceber.
Outro ponto positivo do filme está em sua fotografia que muda a tonalidade das cores para mostrar cada fase de Bob.Desde o preto e branco da fase interpretada por Cate até as cores de arquivo da fase interpretada por Cristian bale .O filme também apresenta vários recursos estéticos brilhantes usados para representar o personagem. Uma coisa interessante ,também,é que todas as facetas de Dylan tem nomes próprios(por sinal o nome Bob Dylan não é pronunciado nenhuma vez durante o filme inteiro).A maioria dos nomes são referências à vida de Dylan(como Woody Guthrie nome do personagem de Marcus Carl Franklin e que era o ídolo de Bob).
Mas a melhor parte do filme é o seu elenco afinadissimo.Todos estão bem , mas eu devo destacar a maravilhosa performance de Blanchet(por sinal na melhor parte do filme).Ela mostra um Dylan com problemas com seus fãs,com problemas com a mídia e viciado em drogas.Nessa fase estão cenas memoráveis como a que Dylan(ou Jude como é chamado) se encontra com os Beatles , com o poeta Allen Ginsberg , além da entrevista no final.
Em si ''Eu não estou lá'' se mostra um filme extremamente inteligente e um dos três melhores de 2007(junto com Onde Os fracos Não Têm Vez e Sangue Negro).
Nota :9.0

Clássicos em questão: Taxi Driver (1976)

Taxi Driver é a grande obra-prima da parceria De Niro/Scorsese. Injustiçado no Oscar de 1977, o filme é considerado por muitos um dos 100 melhores filmes da história do cinema.

No filme, Robert De Niro é Travis Bickle, um jovem veterano do Vietnã que volta para as ruas de Nova York trabalhando como motorista de táxi. Conhecendo melhor todos os podres das vielas da cidade, seu caminho se cruza com o das jovens Betsy (Cybill Sheperd) e Iris (Jodie Foster), uma prostituta de apenas 12 anos, o que o faz se revoltar com tudo e com todos, explodindo sua raiva e violência que sempre demonstrou ter. Ele planeja um atentado contra um senador e, sozinho, ainda bate de frente com os cafetões de sua mais nova jovem amiga.

Em Taxi Driver também há uma das melhores cenas do cinema, onde o personagem de De Niro solta sua imortal frase onde diz: "You're Talkin To Me? (VOCÊ ESTÁ FALANDO COMIGO?)" em frente ao espelho.

Se em filmes como Os Bons Companheiros e Os Infiltrados, Scorsese retratou a violência no mundo da máfia, em Taxi Driver ele retrata de forma brilhante a violência urbana, comandada por um homem só.

Enfim, Taxi Driver é uma obra obrigatória não só para os fãs de Scorsese, mas também para os verdadeiros AMANTES do cinema.